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Treinamento

2ª Corrida da Solidariedade


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Até pela quantidade (um pouco) acima da média de provas que faço, nem todas elas podem ser épicas, (pseudo)heroicas, verdadeiras sagas como os 42 km e uns quebrados do domingo anterior no RJ. Algumas acabam sendo só mesmo pelo prazer de estar no field, pela satisfação que dá o simples fato de marcar presença. Esta de hoje seria assim. Teria que ser. O bom senso, o manual do corredor ajuizado, mandaria que eu ficasse em casa, terminando a funilaria depois da boa dose de esforço de dias antes. Só não o fiz por dois motivos, basicamente: a inscrição estava feita desde antes de a maratona ter sido confirmada; e a distância, de apenas 5 km, era adequada para o momento. Poderia até ter faltado. Mas não me arrependeria de não faltar.

 

O único outro da turma local a topar a empreitada, uma viagem de quase 100 km por estradas ruins (pelo menos o trecho paulista) e estreitas foi o Sílvio. O guerreiro segue ferido (por enquanto, em setembro está de volta!) e não pôde comparecer, mas mandou representante. Luis Carlos assumiu a missão e, abrindo mão de um certamente ótimo treino que fecharia a preparação do Michel para la paraguaya, resolveu me acompanhar. Janete também ia, mas mudou os planos de última hora. Enfrentando friagem e buracos pela pista, lá fomos nós... Ao chegarmos à típica cidade mineira, tentando pedir informações sobre o local exato do evento, constatamos que a festa da noite anterior tinha sido das boas. Show do Hudson, aquele que se separou do Edson (ou será que era do Edson, aquele que se separou do Hudson?). Todo mundo de cara inchada.

 

No trajeto, vínhamos, eu e L.C., conversando, entre outros assuntos, sobre provas pequenas e de nível altíssimo. Essa, estava na cara que seria uma delas. E não deu outra: deu até medo de olhar para o shape médio dos presentes. O mais roliço tinha 0% de gordura. Enquanto as feras esquentavam os motores, fomos procurar uma padoca e tomar um café com pão de queijo (em Minas não seria acarajé, né?). Devidamente alimentados, fomos fazer parte dos rituais preparatórios, dando voltas em trote leve pela praça, acertando o cachê dos fotógrafos (valeu, família do 100 Juízo Nelson, quebraram um galhão!), passando o lustra-móveis nos pontos de atrito e procurando banheiros químicos, posicionados na área da festa e não da prova, mas ao menos existentes.

 

Imaginei pouca gente e, entre eles, quase nenhum conhecido. Mas me enganei. Além do companheiro de equipe citado, a agradável surpresa de ver por lá vários outros rostos conhecidos das corridas. Satisfação rever Romildo (vindo de Volta Redonda com a família), Adenilson (o novo top de linha da nossa equipe), o bom veterano Dito, entre outros colegas de esporte. Assim como fazer novos amigos entre os que me reconhecem das fotos do Arquivo de Corridas ou do CorridasDeRua.com e vêm bater um papo. Sempre muito legal.

 

O bom humor dava o clima. Ao retiramos os envelopes com chip e número, o Luis perguntou para a moça do staff sobre o horário da largada. “9 horas?”. “É, está previsto, né?”, foi a resposta. Estressar pra quê? O atraso acabaria sendo relativamente pequeno, de treze minutos apenas. Nada que prejudicasse demais, principalmente em se tratando de uma prova que acabaria logo. Chamaram pra alinhar e eu, mesmo sendo um dos primeiros a fazê-lo, tratei de dar meus dois passos pra trás. Fila do gargarejo não é o meu lugar... A buzina soou e ratificou o acertado da minha escolha. A disparada mostrou que a turma não estava para brincadeira. O chão era de lajotas sextavadas de concreto, mas voou foi poeira pra todo lado...

 

A falta do meu staff pessoal pode ser constatada nas imagens da prova (quando há alguém para substitui-la na função de fotógrafa). Se o número de peito está torto, é sinal de que a Janete não veio. Mas não é só isso. É também o meu personal guarda-volumeitor. Sem ela, a chave do carro foi para o bolso de trás da bermuda, que o cabeçudo aqui esqueceu de zipar. Resultado: logo no começo da descida, um tec no chão e, não fosse a corredora que vinha logo atrás (que também viria conversar com a gente ao final da prova, dizendo ser conterrânea nossa), eu teria que voltar para o resgate. Essa foi inédita. Ainda assim, com esse primeiro trecho ladeira abaixo (e com paralelepípedos, ai meu joelho!), quando apareceu a primeira placa, já saindo do perímetro urbano, o pace foi de absurdos (pra mim) 4’27’’. Tenho que estar muito bem treinado pra manter essa pegada em uma corrida, qualquer que seja ela. Tratei de tirar meu cavalinho da chuva. Hoje, definitivamente, não era dia para isso... Na pista de asfalto novinho e com a placa indicando caminho para a cidade vizinha de Conceição dos Ouros, tratei de remodular minha velocidade para algo bem mais próximo da realidade. Os ponteiros (e os nem tanto) já sumiam no horizonte, entrando à direita, de volta ao trecho habitado do trajeto.

 

Eu até tinha recuperado algumas das posições, ultrapassando algumas corredoras. E emparelhara com uma delas, tentando usar seu bom ritmo como referência. Pelo segundo quilômetro, deu certo: 5’ cravados (até nos décimos) era um bastante razoável para a minha falta de preparação específica atual. Mas até isso estava difícil de manter. Durou bem pouco a alegria de pobre. Junto com as piadinhas sobre a minha (falta de) forma física, que eu tinha ficado um tempo sem ouvir, mas que (acho que) nunca vão sumir de todo, veio a constatação de que não era dia sequer de corrida moderada. Encaixei então um terceiro padrão de ritmo, parecido até com o usado semana passada na maratona. Antes isso do que parar de vez. E olha que vontade deu. Peguei água, joguei no rosto, caminhei um pouquinho, retomei o fôlego e voltei para a briga. A terceira placa passou com 5’47’’. E ainda não tinham chegado nem as subidas...

 

No curto trechinho andando, perdi as posições que tinha ganho lá atrás e outras tantas mais. No pé do morro, alcancei o Dito, que também parou para caminhar; mas acabei fazendo o mesmo, poucos metros à frente. Nem parecia o cara que não tomou conhecimento da Niemeyer depois de 26,5 km. Quando ele chamou para trotar rampa acima, eu acompanhei, mas o trote dele àquela altura era mais forte que o meu. Mantive os passos curtos e, voltando a andar, quando outra subida apareceu, vi o ritmo despencar de vez, chegando à quarta placa com inacreditáveis (também para mim) 6’46’’. Procurei nem olhar para o tempo parcial no relógio, para não correr o risco de desanimar de vez. E guardei um restinho de fôlego para o quilômetro final. Não seria uma daquelas recuperações inesquecíveis, como de algumas provas de outrora, mas ainda assim, acabaria transformando algo que perigosamente tendia para o pior tempo pessoal da história na distância em coisa um pouco mais aceitável.

 

Para o último quilômetro, já isolado, correndo sozinho, sem querer olhar pra trás e ver mais gente se aproximando e me deixando quase no rodapé da lista, fui buscar novamente algo mais próximo do ritmo do segundo. Desta vez, sem a ajuda de coelhos, que não mais havia. Passei na lateral da praça oposta ao “pórtico” de chegada e segui reto, para retornar depois da igreja, onde staffs davam uma força aos que passavam. Cheguei a dar uma nova rateada na esquina (senti uma mordidinha na panturrilha), mas a longa reta final deu um bom alívio, garantindo a chegada com o cronômetro ainda marcando casa de 27’ baixo. Fosse um dia de competição, me deixaria meio (ou até bem) aborrecido, mas não dessa vez. A satisfação da conclusão no Rio ainda vívida na memória dava à prova de hoje a aura de um mero treininho medalhado. Há, notadamente, muito que treinar para virar o fio e passar a almejar metas de velocidade no segundo semestre. Mas já fui capaz disso outras vezes. E serei novamente.

 

Fotografado pelo Nelson, cheguei esbaforido e procurando água (que havia, à vontade). Kit pós-prova não tinha, mas as mesas de frutas (bananas, laranjas e melancias) cumpririam a contento o propósito da reposição (de pouca coisa, aliás). Cumprimentos aos amigos, premiados ou não. Nelson e Ademilson representariam a 100 Juízo no pódio improvisado (e 100% ecológico), Luis Carlos passaria raspando, ficando em quarto na categoria (parabéns, amigo!). Bacana ver a alegria da Odila (a que me ajudara com a chave no começo da prova) e da Danielle, corredora local, faturando seu primeiro troféu. Acompanhamos quase toda a cerimônia, presidida pelo locutor e quase stand-up comedian, antes de pegarmos de volta o caminho da roça. Não foi dia de "brilhar", e nem todo é. Mas foi dia de me divertir, isso, espero que todos sempre sejam.

 

Gostei:  

de voltar a correr em sagrado solo mineiro, da boa estrutura, apesar da simplicidade da prova

 

Não gostei:

do atraso (anunciado) na largada, da convivência com carros em parte do trajeto, da camiseta

 

Avaliação: (1-péssimo 2-ruim 3-regular 4-bom 5-excelente)
- Inscrição: 4 (internet, boleto)
- Retirada do kit pré-prova: 5 (tranquila)
- Acesso: 5 (tranquilo de achar, apesar dos "guias alcoólicos"; e de estacionar perto)
- Largada: 4,5 (atraso pequeno, nenhum tumulto, até pela pouca quantidade de participantes)
- Hidratação: 5 (posto único suficiente para os 5 km)
- Percurso: 5 (difícil, mas interessante)
- Sinalização: 5 (placas visíveis e, salvo prova em contrário, bem posicionadas)
- Segurança/Isolamento do percurso: 3 (pouco trânsito, mas deu um certo receio de ver carros passando tão perto)
- Participação do público: 3 (pouca gente assistindo e, entre os poucos, maioria de gozadores de plantão)
- Chegada/Dispersão: 5 (sem problemas)
- Entrega do kit pós-prova: 4 (não gosto do self-service, mas a variedade até que foi boa)
- Qualidade do kit pós-prova: 3,5 (para uma prova paga, poderia ser melhor)
- Camiseta: 3 (fraca)
- Medalha: 3,5 (honra ao mérito com upgrade)
- Divulgação dos resultados: - (na parede do quiosque, na hora; na net, aguardando)


Média: 4,18

Fabio Namiuti
http://www.corridasderua.com/mc/profile.aspx?uid=75
http://fabionamiuti.hd1.com.br/

Analista programador profissional e corredor de rua amador.
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