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Treinamento

A Visão do Corredor - 76ª Prova Pedestre 9 de Julho


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Corrida em plena sexta-feira? É. Comemorando, para os paulistas, o dia da Revolução Constitucionalista de 1932, tivemos por aqui um feriado e um bonito dia de sol. Mais ainda em Guaratinguetá, onde ele costuma sempre brilhar de forma mais intensa. Difícil seria chegar até a cidade. O volume de trânsito, principalmente no entroncamento com a Carvalho Pinto e a Floriano Rodrigues Pinheiro, na região de Taubaté, deixou a viagem lenta e perigosa. Vimos pelo menos três pequenos acidentes provocados por aqueles que têm mania de andar colados ao carro da frente. Deu medo de coisa pior. Ao chegar ao primeiro acesso à cidade de Monteiro Lobato, Mazzaroppi, Cid "Jabulani" Moreira e vovó Hebe, optei por cortar por dentro dela e sair bem mais à frente, já próximo à rodoviária. Não sei se perdi ou ganhei tempo nessa manobra, mas o trajeto entre São José e Guará, que costuma levar uma hora, no máximo 1h10min, dessa vez durou por volta de 1h40min. Teve gente que apareceria só depois da largada. Já eu, cheguei ao local da prova ainda com meia hora para os preparativos gerais. Mas meio boladão com esse corre-corre todo.

 

Fiz a retirada do kit pré-prova com tranquilidade, sem filas. E voltei ao carro, estacionado por perto, para me trocar, aproveitando o isolamento da avenida para um rápido aquecimento com o Dudu. Cada vez mais curtindo o ambiente das corridas, hoje ele já foi com número afixado na camiseta (só de farra, não havia prova infantil), tênis com sistema de amortecimento e tudo mais. Não vou nunca forçá-lo a praticar esse (ou qualquer outro) esporte, só porque eu gosto. Mas, fazendo meu papel de pai, estou apontando um caminho para ele.

 

Mal deu tempo de cumprimentar os amigos presentes. Falei rapidamente com o Orlando e sua família (que torcida organizada, hein, amigo?) e saudei de passagem o Marco, o Cláudio, o Michel e o Bruno. A 100 Juízo estava representada por Zebra, Rafael, Acacio (que ficaria em 5º lugar geral nos 5 km, parabéns!) e Ednilson, mas também pelos novos integrantes, da nossa sucursal taubateana. Pena a ausência dos também taubateanos Fabio Matheus e Patrícia, ambos se recuperando de contusões e prometendo voltar no aniversário de São José. A largada, que eu imaginei que teria algum atraso, por conta das dificuldades no acesso rodoviário, acabaria sendo antecipada em alguns minutos. Às 9h57min, na minha marcação, a buzina soou e todo mundo saiu disparado, literalmente. Não eram muitos os atletas, mas a premiação em dinheiro até nas faixas etárias deixaria o nível da prova altíssimo.

 

Esta é a prova mais antiga do Vale do Paraíba e uma das mais antigas do Brasil, inclusive. Segundo consta, só perde para a São Silvestre e a Volta da Penha, ambas na capital paulista. E era nada menos que a minha quinta participação seguida, correndo todos os anos desde 2006. A curiosidade era que, nas quatro edições anteriores, nunca tinha havido dois percursos repetidos. Até o horário já tinha variado: a edição 2007 fora noturna, como era tradição inclusive, quando o feriado ainda não existia. Desta vez, no entanto, o trajeto definido para a edição anterior seria mantido. Começamos pela avenida que margeia o rio e, nela mesmo, fizemos o balão e voltamos pela outra pista. No contorno, como em outras vezes, aqueles “tambores” de isolar trânsito, alguns meio mal colocados na pista. No meio da muvuca, não era nada difícil alguém trombar com um deles e acabar com sua corrida logo no primeiro quilômetro. Em 2008 acontecera. Desta feita, não vi e nem ouvi o tum.

 

Prova em pleno dia de semana bagunça o coreto dos treinos. Fiquei em dúvida sobre como planejar minha agenda semanal, já que tinha marcado para o dia posterior mais um treino longo, acompanhando meu amigo Jorge Monteiro, que estará na semana seguinte fazendo a Meia Maratona do Rio. E com a presença do Michel, que vai visitar Larissa Riquelme em agosto. Com isso tudo, fiz só musculação (caseira) na quarta, cancelei o intervalado de quinta, tentando me poupar para a carga que tinha por enfrentar. Comecei a prova achando que estava rodando em ritmo tranquilo. Nem forte demais e nem totalmente desencanado, como havia sido no domingo anterior no Ipiranga. Seguindo o fluxo e ficando próximo de gente que costuma rodar mais ou menos na minha toada, quase sempre.

 

Como em 2009, saímos brevemente da avenida por uma travessa à direita, mas logo retornamos a ela, pegando uma longa reta, totalmente plana e muito boa para correr. A primeira placa não tardou a surgir. E mostrou que o ritmo não estava tão pianinho assim. 4’32’’ foi a primeira marca vista. Ainda assim, não parecia exagerado. Eu não tinha ilusões de, sem preparação para esse tipo específico de corrida, conseguir manter essa batida por muito tempo, mas tentaria ajustar a passada para algo não muito distante disso, pagando para ver até onde dava para ir. Seguia na cola dos coelhos, alguns conhecidos, outros escolhidos ao acaso.

 

E tudo parecia dentro do planejado. Na segunda placa, a parcial foi de 4’43’’, um tempo mais condizente com meu momento atual. Queria tentar congelar o pé nisso. Passamos pela rotatória, onde ficava o posto de água e a turma da prova de 5 km retornava. O Bruno tinha perguntado em qual das provas eu estava e eu respondera que estava arrependido da minha escolha pelos dez. Deu vontade de virar à esquerda e voltar, mas passei reto. Pelo outro lado, já começavam a voltar os ponteiros, voando baixo. Vi que estava começando a perder um pouco de velocidade, segurei a onda e encostei novamente nos pontos de referência logo à frente. A próxima placa passaria com a já começando ficar preocupante marca de 4’55’’.

 

O retão continuava, planinho, tranquilo, bem diferente do percurso acidentado nas minhas primeiras participações nessa corrida. Mas o rendimento já não era o mesmo. Tive que readequar, mais uma vez, o passo. Tinha vontade de seguir forte, mas, claramente não tinha pulmão para isso. Cada nova placa que aparecia trazia um baque. O próximo seria de ver marca acima de cinco, e já por dez segundos. Novamente não era dia. Tinha que fazer um esforço para não me desinteressar e transformar a brincadeira em novela mexicana. Cheguei ao ponto de retorno, mais uma vez a Escola de Especialistas da Aeronáutica, com aviãozinho suspenso na entrada e tudo. E por ali enterrei minha prova de vez. A Janete até vende, mas não usa perfume, porque sabe que eu tenho uma alergia braba. É cheirar e espirrar. E alguém passou por ali com um tão forte que não deu outra: ziquezira na mesma hora. Atchim, cof-cof e até um começo de náusea. Alguém perguntou se estava tudo bem e eu nem vi se era staff, corredor ou segurança do quartel.

 

Muito difícil se reanimar depois de perder, sei lá, meio minuto nesse incidente. Quando a placa de metade da prova veio, eu tentei esquecer os 5’44’’ no quilômetro e me focar nos 25’06’’ de tempo parcial, sonhando com um àquela altura utópico sub-50’. E até quase acreditei nele: voltei a fazer o mesmo ritmo do trecho anterior, com um pace quase idêntico de 5’11’’ no km 6. Mas foi fogo de palha. Comecei a sentir incômoda a respiração, mesmo nesse ritmo mais tranquilo que o normal. O sol já estava alto e forte e também começava a atrapalhar um pouco. Não estava mais tão gostoso correr, a verdade incontestável era essa. Decidi então deixar pra lá, não me estressar com isso e usar o trecho final apenas para cumprir tabela. Lembrando de que tinha um compromisso para o final da prova, assumido antes dela com um pequeno amigo.

 

Quando a prova saiu da avenida principal e entrou à direita, a caminho do Anel Viário, que já existe há algum tempo, mas ainda nem aparece nas imagens de satélite do Google, o passo já era de trote, parecia bem mais longão do que prova curta. Na esquina estava a placa sete, alcançada com altos, mas esperados 5’47’’. Sem subida da Nazaré. Achei o oitavo quilômetro bem longo, parecia que não acabava mais. Mas a parcial dele seria um pouco melhor, de 5’32’’. De qualquer maneira, era impossível voltar a qualquer coisa parecida com o ritmo do começo da prova. As ultrapassagens eram inevitáveis, só faltava mesmo era aparecer a ambulância...

 

De volta aos trechos mapeados do percurso, fomos sair na Av. JK, nos arredores do shopping da cidade. Já se via a outra margem do rio, oposta à da largada, por onde seria feita uma escala antes da passagem pela ponte e a chegada à reta final. Meio desanimado, ensaiei uma caminhada e levei uma pequena “bronca” de um corredor que vinha de trás. Por ali também estava o 100 Juízo João Carlos, temporariamente atuando como fotógrafo (e em breve de volta ao seu lugar de direito, as pistas). Cliques e incentivos na ida e na volta, mas eu avisei que hoje estava só de boa. Subi e desci a ponte esperando para encontrar, na companhia do Rafael, que já tinha encerrado faz tempo sua participação nos 5 km, meu filho Dudu. Como em Porto Alegre, ele queria hoje também terminar a prova comigo. Imaginei que seriam uns cem metros, distância que ele vai inclusive percorrer em Sapucaí-Mirim, em sua estreia nas corridas em setembro. Mas seriam bem mais, uns bons 350, a reta quase toda. O guri resistiu firme. E foi muito aplaudido quando passou, merecendo inclusive citação do locutor do evento. Só aí perdi mais quase um minuto, certamente. Terminei poucos segundos abaixo do resultado de domingo passado, em uma prova muito mais complicada. Mas, afinal, o que é o tempo, diante da satisfação de ver um sorriso no rosto de uma criança? Pieguice? Talvez, mas e daí? Eu curti. Ele também. Valeu mais para mim do que muitos recordes pessoais que já bati. E que posso voltar a bater, melhor preparado e condicionado, em provas futuras.

 

Ainda assim, o esforço tinha sido grande. Cheguei não me sentindo muito bem, tive que fazer uma pausa para recuperar fôlego e me recompor antes de ir pegar o kit pós-prova e saudar os amigos com provas devidamente concluídas (parabéns a todos pelas participações e resultados). A sacola tinha três bananas, barra de cereal e hidrotônico, além da camiseta regata simples e da medalha até bonita, mas manjada, parecida à beça com outras já ganhas em provas ali e em outros lugares. Tentei esperar a premiação inteira e o sorteio de brindes, mas a demora, o sol forte e a fome que foi batendo, à medida que o horário avançava, nos fez optar por pegar a estrada de volta, dessa vez, felizmente bem mais tranquila. Não fui bem hoje, mas sei que posso e que vou fazer bem melhor que isso nas próximas.

 

Gostei:   

da melhoria na marcação de quilometragem, ponto falho da edição anterior; da manutenção do percurso, coisa que nunca tinha acontecido nas minhas participações anteriores

 

Não gostei:   

da pontualidade excessiva, largar no susto é meio complicado, de conviver em parte do percurso com o trânsito

 

Avaliação: (1-péssimo 2-ruim 3-regular 4-bom 5-excelente)
- Inscrição: 4 (internet, boleto)
- Retirada do kit pré-prova: 5 (tranquila)
- Acesso: 5 (complicado chegar; depois que chegamos, tranquilo, mesmo com a avenida interditada)
- Largada: 4,5 (pontual é ótimo; antecipar, nem tanto)
- Hidratação: 4 (não gosto muito do posicionamento dos postos nesta prova)
- Percurso: 5 (mantiveram o bom percurso do ano anterior)
- Sinalização: 4,5 (melhorou bastante em relação aos anos anteriores)
- Segurança/Isolamento do percurso: 3,5 (manteve o esquema anterior: tranquilo no começo, complicado no final)
- Participação do público: 4,5 (mais concentrado na largada/chegada, alguns espectadores apoiando, outros nem tanto, no percurso)
- Chegada/Dispersão: 5 (tranquila)
- Entrega do kit pós-prova: 5 (tranquila dessa vez, talvez porque cheguei quase no final)
- Qualidade do kit pós-prova: 4,5 (era melhor terem trocado as três bananas por frutas variadas, mas ficou bem razoável no custo x benefício)
- Camiseta: 3,5 (achei melhor a do ano passado)
- Medalha: 4 (achei bonita, mas manjada; com data, mas sem distância)
- Divulgação dos resultados: 5 (no mesmo dia, com tempo líquido)

Média: 4,43

Fabio Namiuti
http://www.corridasderua.com/mc/profile.aspx?uid=75
http://fabionamiuti.hd1.com.br/

Analista programador profissional e corredor de rua amador.
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