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Saúde

Uso abusivo de esteróides anabolizantes androgênicos


Os esteróides anabolizantes androgênicos (EAA) vêm sendo utilizados abusivamente por atletas competitivos e também por atletas recreativos, em dosagens que são 10 a 100 vezes maiores que as preconizadas em tratamentos médicos, o que acarreta repercussões físicas e psiquiátricas. O artigo menciona os quadros psiquiátricos associados ao uso de EAA e comenta a importância dos transtornos de imagem corporal em relação ao abuso de EAA.
Os esteróides anabolizantes androgênicos (EAA) são andrógenos sintéticos com atividade anabólica semelhante à testosterona. Os EAA têm a função primária de desenvolver e manter características sexuais masculinas, além da função anabolizante que acarreta aumento da síntese protéica e conseqüente aumento da massa muscular.

Em relação à forma de uso, os EAA são administrados em "ciclos" que duram de 4 a 12 semanas, freqüentemente envolvendo várias drogas simultaneamente ("empilhadas") ou doses que são gradualmente aumentadas e a seguir diminuídas (pirâmide),6 administradas por via oral e via intramuscular associadamente, com períodos de abstinência que variam entre um mês e um ano. As doses usadas costumam ser 10 a 100 vezes maiores que as doses habitualmente preconizadas em tratamentos e estudos médicos.

Alguns individuos cometem até mesmo o absurdo da utilização do undecilenato de boldenona que é uma droga de preparação veterinária, o que denota a falta de limites dos usuários. Na tentativa de evitar os efeitos colaterais e de aumentar a ação das drogas, são usados: diuréticos, outros hormônios (diidroepiandrosterona, eritropoietina, hormônio de crescimento humano, insulina, tiroxina e triiodotironina), estimulantes do hormônio de crescimento, estimulantes da testosterona (clomifeno, ciclofenil e gonadotrofina coriônica humana).6 Na Internet encontramos "sites" de estímulo ao uso de EAA, com recomendação de dosagens e "dicas" de como conseguir as drogas. Sabe-se também que os EAA são prescritos e vendidos nas próprias academias, sem qualquer critério e controle.
Conseqüências orgânicas do uso de EAA podem ocorrer em diversos sistemas. Na pele: acne, aumento de pelos corporais e calvície. No fígado: colestase e tumores hepáticos. No sistema nervoso central: convulsões, dor de cabeça e trombose do seio sagital. No metabolismo: intolerância à glicose, aumento de LDL colesterol e diminuição do HDL colesterol. No sistema endócrino: atrofia testicular, dificuldade urinária e ginecomastia.
São ainda descritos quadros psiquiátricos associados ao uso dos EAA. Na vigência do uso: psicoses ou sintomas psicóticos, mania ou hipomania, ansiedade e/ ou pânico e comportamento violento. Na retirada da droga podem ocorrer quadros depressivos. A insatisfação com a imagem corporal é citada como um fator que predisporia os usuários à dependência. Não há dados de prevalência de dependência de EAA. Kindlundh (1999) menciona o consumo pesado de álcool (mais de uma vez por semana) como associado ao uso de EAA entre adolescentes.
Em contraste com o que se conhece com relação às mulheres, a insatisfação com a imagem corporal em homens, especialmente entre os jovens, direciona-se ao ganho de peso. Tucker (1982) estudou o tipo físico "ideal" de homens jovens universitários e estimou que 70% não estavam satisfeitos com seu corpo e desejavam ser mais musculosos.

Um tipo de transtorno dismórfico corporal está francamente associado ao uso de EAA. Denominado "dismorfia muscular", caracteriza-se pelo fato de homens, mesmo sendo musculosos e "grandes" (como se entitulam), têm medo de parecerem fracos e "pequenos" e algumas vezes consideram que sua massa magra é insuficiente. A preocupação excessiva com a musculatura causa ansiedade e prejuízo social, ocupacional e em outras áreas de funcionamento. Há uma excessiva preocupação com o treinamento físico e com a dieta, o que pode levar ao uso de substâncias ergogênicas.10 O uso de EAA nessa população pode ser desencadeado ou mantido pela presença de transtorno dismórfico corporal.
S. Siqueira
Educador Físico

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