Apesar de não fazer parte do grupo de pessoas que trabalha diretamente na realização desta corrida, me sinto, de certa forma, também um pouco anfitrião dela. Afinal, ela acontece pelo terceiro ano consecutivo no bairro onde moro e no qual passei três quartos da minha vida. Passando por avenidas que são parte do meu caminho diário, correndo ou não. Se posso dizer que tenho uma corrida na qual estou literalmente em casa, é esta. E fico tremendamente feliz sempre que ouço dizer que ela vai ter uma nova edição. Inscrição automática, salvo motivos de força maior. Deixei de repetir até a (sensacional) Meia da Praia Grande por isso.
E a alegria aumenta exponencialmente ao ver crescer, ano a ano, a massa de colegas de esporte que toma as dependências do shopping. Entre os quais, cada vez mais, muitos amigos. A equipe 100 Juízo, apesar da árdua batalha de poucas horas antes, desta vez praticamente completa: além deste que vos escreve, Zebra, Edward, João Carlos, Cris, Acacio, Fabio Matheus, Toninho (que já era, no bom sentido, de pouco juízo, agora é totalmente sem) e Mayke (dezesseis anos, garoto bom de passada que se junta a nós, e já estreando em grande estilo). Vestindo excepcionalmente outros uniformes, mas sempre conosco, Manoel e Natanael. E um sem número de camaradas, de equipes co-irmãs ou corredores(as) avulsos. De São José dos Campos mesmo, das cidades vizinhas ou mesmo vindos de longe. Feras do atletismo ou simples participantes, como eu. Todos confraternizando e esbanjando animação nesta bela manhã de domingo. Qualquer corrida fica ainda melhor com essa galera toda reunida, isso é fato.
Não dá pra negar que, muito pouco tempo depois de terminar uma outra corrida de (quase) 5 Km em Pindamonhangaba, ao querer encarar outra, o cansaço me pegou de jeito. Não foi nada salutar mais uma dobradinha em um final de semana, aquilo que a gente sabe que não é bom pra ninguém, mas acaba fazendo sempre que o calendário prevê. Não foi a primeira e, seguramente, não deve ser a última também. A vantagem dessa era estar a minutos daqui. Acordei cedo, para um domingo, mas sem os exageros das provas que requerem viagens. A largada ficava a pouco mais de 2 Km da porta de casa. O percurso passava quase em frente. Mesmo meio moribundo, saí de casa relativamente disposto para mais uma boa briga. Só não mais contente por ter ido sem a Janete, que com um misto de sinusite e tosse, ficou fora de combate. No caminho, vimos a avenida principal do percurso sendo interditada pelos agentes de trânsito em uma das pistas. Conforme mencionado no relato do treino em grupo feito na quarta-feira que antecedeu a prova, a mudança no trajeto, visando evitar problemas com o trânsito na Avenida Andrômeda e na própria Cidade Jardim, acabaria deixando a corrida teoricamente mais ágil. Mas o pouco espaço destinado aos corredores, confesso, me assustou um pouco a princípio. Alta densidade demográfica prevista.
Tendo feito a retirada do kit no dia anterior, pude aproveitar tranquilamente o intervalo para intercalar preparação com bate-papo de sempre com a rapaziada. Mas deu pra ver que não houve maiores problemas mesmo para quem deixou para pegar na hora a sua sacola com camiseta, lenço (ou seria bandana?), chip e número de peito. Vários guichês e a divulgação antecipada da lista no site com a numeração são iniciativas que sempre ajudam. Faltando pouco tempo para o horário previsto para a largada, saímos do shopping e fomos fazer um breve aquecimento na Andrômeda, também interditada em meia pista, só na parte final em frente ao shopping. Espaço realmente pequeno para tanta gente. Não chegou a tumultuar demais, mas poderia ter sido mais tranquilo se houvesse um pouco mais de bom senso... dos próprios corredores, por sinal. Se você não vai brigar por pódio, por que razão tem que ficar na fila do gargarejo? Se isso já atrapalha em provas com cem participantes, imagina com mais de mil e trezentos (sem contar os caminhantes).
Com poucos minutos de atraso, quatro na minha marcação, saímos para a batalha. Todo mundo junto e misturado, gente que ia para apenas uma e para duas voltas também. Mesmo estando astronomicamente longe dos tempos da elite, o que fiz até a esquina com a marginal da Dutra e no decorrer dela, morro abaixo, foi um número assustador de ultrapassagens. Algumas mais fáceis, só no jogo de cintura, outras bem mais complicadas, exigindo manobras arriscadas no meio do bololô. Na largada, acabei ficando sem contato visual com as minhas referências de costume, parceiros como o Toninho e o Edward. Mas sabia estar em um ritmo adequado, virando à direita e pegando o início da reta da Cidade Jardim com muita vontade de fazer uma boa corrida. A primeira placa chegou rápido, suspensa e bem visível, ao lado de uma das entradas do shopping. Meu tempo parcial nela foi de 4'39''. Início excelente, comum em muitas outras corridas, mas quase sempre muito difícil de manter. Sem pensar nisso, segui adiante a passadas largas e firmes.
O primeiro a aparecer à frente foi o xará Matheus, pai do Leonardo. Sem poder manter, por causas mais do que justificadas, a regularidade dos treinos nos últimos dias, não vinha com o ritmo habitual das provas mais recentes, mas seguia bem (fecharia os 10K quase junto do Michel). Comentou comigo que se eu acelerasse um pouco, alcançava o Toninho. Conversamos rapidamente e incentivamos o Edward a não parar (voltaria a sentir a danada da coxa, mas terminaria mais uma). Segui adiante. Veio a segunda placa, no cruzamento da avenida com a Rua Pedro Turci, à direita; e o acesso à Rua Antônio Aleixo, à esquerda; e o pace nela melhorou um pouco mais (4'36''). Sem sentir, pelo menos até ali, qualquer reação adversa dos inícios fortes demais (para mim). Mas a placa marcava também o fim do trecho plano da avenida. A partir dali, a descidinha leve, citada no relato do treino de quarta; e a longa e íngreme subida pela pista esquerda. Mais forte, acabei concordando ao ver os gráficos de altimetria, que a do lado oposto, mas também mais curta. Em treinos do dia-a-dia, sempre preferi pegar esta ladeira que a das provas de 2007 e 2008. O que continuarei fazendo.
Logo no começo da pirambeira, alcancei o Toninho e também trocamos uma ideia rápida. Achei que, como na primeira volta do treino de quarta-feira, conseguiria manter um bom pique morro acima, mas estava redondamente enganado. Minha performance caiu, e bastante. Peguei um copinho d'água e joguei na cabeça, deixando a outra metade para outro corredor, que perdeu o posto e me pediu. Pelo outro lado já vinham os mais rápidos. O capitão passou descendo e mandou o incentivo, que sempre ajuda, ainda mais na hora em que a batata arde. Mesmo perdendo um bom tempo, cheguei ao final do morro e contornei o grampo, iniciando mais que aliviado a descida. Também não consegui repetir as belas calcanhadas que dei no simulado, mas ladeira abaixo é sempre melhor. Na passagem pela placa três, fui averiguar o tamanho do estrago: 5'15'' foi o ritmo do quilômetro, mas o tempo parcial ainda estava bom, com 14'30''. Ânimos renovados para continuar.
Agora era hora de retribuir os incentivos para quem subia, mas, no meio da muvuca, acabei não reconhecendo nenhum outro corredor na pista oposta. Procurei o Jorge, tentando mandar um "vamo" pra ajudar ladeira acima, mas só o encontraria na chegada (mesmo sem recorde, parabéns, amigo!). Só veria mesmo meus tios, bem depois, lá embaixo, ainda no começo da caminhada. No mesmo posto de água da ida, só que do outro lado, peguei meu segundo copo. Ajudou bastante a refrescar, o calor aumentava. A subidinha depois da escola, em frente aos prédios, mais uma vez foi tranquila, quase nem deu pra sentir. A volta ao trecho plano foi mais que bem-vinda. O ritmo inicial não seria retomado totalmente, mas chegaria perto disso. Quando apareceu a quarta placa, o pace foi de 4'42''. Prejuízo da lomba parcialmente recuperado. O estômago embrulhava um pouco, a respiração era curta, rápida e ansiosa. Vontade de parar, andar, diminuir radicalmente o ritmo, dava. Mas faltava pouco e o negócio era resistir a essas tentações. Veio a virada à esquerda para pegar a subidinha em frente à ACM. No coletivo durante a semana, ela tinha quebrado bem o ritmo e hoje não seria diferente. Mas, se tem algo legal em subida, é constatar que ela é ruim para (quase) todos. Voltar a fazer ultrapassagens, como no começo da prova, deu o gás adicional que faltava para terminar bem.
De volta à Andrômeda, agora era só chegar. A divisão das pistas era sinalizada com placa e tinha staffs avisando. Eu enxerguei a tempo e mudei de faixa quando fui avisado que, participando da prova de 5 Km, deveria seguir à esquerda (pela direita, começava a segunda volta para quem fazia os 10 Km). Mas isso não impediria estragos, entre os quais, o do final da prova do Manoel: errando o caminho, ele teve que voltar, perdeu tempo precioso e o primeiro lugar de sua categoria. Cheguei sem sprintar, mas mantendo um ritmo razoável para o final da prova. O meu último quilômetro seria feito em 4'52'', fechando o percurso em 24'06''. Praticamente o mesmo tempo do dia anterior em Pinda, com apenas quatro segundos a mais. Mas também com um bom número de metros extras, quase trezentos, segundo minha medida no site MapMyRun. Pace médio de 4'49'', minha nona melhor média de velocidade em uma corrida. Para quem andou fazendo 5'30'', e isso morrendo, há bem pouco tempo atrás, acabou sendo um belo resultado. Forçasse um pouquinho mais, principalmente na descida, talvez até tivesse conseguido o recorde pessoal na distância. Faltaram 29 segundos apenas. Mas não vão faltar oportunidades para isso...
Recebemos ao final da corrida um kit com bom conteúdo: sacola de tecido, com frutas, cereal matinal, chocolates e isotônico. Sapucaí Mirim, no domingo anterior, ganhou neste quesito, mas no photochart. Junto com a camiseta, desta vez da marca patrocinadora propriamente dita e não só com o logotipo dela. E a bonita e grande medalha dourada, com data do evento inclusive. Não houve apenas a diferenciação da distância e modalidade (corrida ou caminhada). Encerrada a participação, simbora pro conversê. A grande maioria dos amigos que encontrei se deu por satisfeita com seus desempenhos, alguns melhorando marcas pessoais e outros, quase isso. A 100 Juízo subiu ao pódio com Zebra (barba ontem, bigode hoje!), João Carlos (décimo segundo troféu conquistado), Acacio (munido de um vídeo que o mostra chegando antes do primeiro de sua categoria!) e Mayke (ah, moleque!!!). A faixa, que virou bandeira, frequentou muito (e merecidamente) os degraus da vitória, inclusive o mais alto. Outros amigos também estiveram lá, como Manoel, Natanael, Jota Júnior, Mineiro, Rogério, Marcos Lennon, Vanderléia, Alexandre e Irma (correndo juntos como dupla de revezamento, novidade deste ano; e comemorando, ao final, o aniversário do filho, já começando também a brilhar nas corridas). O Narezzi, que fez um belíssimo tempo (casa de 21'), bateu na trave, ficando em sexto em sua faixa etária. Todos, premiados ou não, estão de parabéns pela conclusão de mais um belo desafio. A quem interessar possa, semana que vem tem mais uma dobradinha prevista: domingo em Caçapava (ou será em São Sebastião, diretor Edward?) e segunda-feira, feriado da Independência, em Guararema. Que seja, no mínimo, tão divertido quanto. Distração das boas, enquanto não chega o dia da maratona #3.
Avaliação: (1-péssimo 2-ruim 3-regular 4-bom 5-excelente)
- Inscrição: 4,5 (internet, sites diferentes, boleto)
- Retirada do kit pré-prova: 5 (tranquila, com opção de retirada na véspera e divulgação da lista)
- Acesso: 5 (estacionamento do shopping, gratuito)
- Largada: 4,5 (com atraso mínimo, local um pouco estreito)
- Hidratação: 5 (postos mais que suficientes e bem distribuídos)
- Percurso: 5 (ficou ainda melhor e mais ligeiro)
- Sinalização: 5 (placas suspensas com boa visibilidade)
- Segurança/Isolamento do percurso: 4,5 (não foi fechado, mas o isolamento foi bem feito)
- Participação do público: 4 (mais concentrado no shopping, alguns assistindo no percurso)
- Chegada/Dispersão: 4,5 (houve problemas com alguns corredores)
- Entrega do kit pós-prova: 5 (sem problemas)
- Qualidade do kit pós-prova: 5 (caprichado)
- Camiseta: 5 (excelente qualidade)
- Medalha: 4,5 (bem bonita, só faltou diferenciarem distância e modalidade)
- Divulgação dos resultados: 4,5 (no mesmo dia, só com tempo bruto)
Média: 4,73
Fabio Namiuti
http://fabionamiuti.hd1.com.br/